Ensaios Escritos

O novo, o mesmo e o outro

02 ago, 12h58

Caroline Carrion / 17.07.2016

“Projeto Piauí” foi uma exposição coletiva de Alexandre Canonico, Bruno Dunley, Isabel Diegues, Luis Barbieri, Marina Rheingantz, Mauro Restiffe e Paloma Bosquê realizada no Pivô (São Paulo) em 2016, após uma expedição do grupo ao Piauí, da Serra das Confusões ao mar. Mais que apresentar a exposição, este texto pretende conversar com ela e com eles, esses que a fizeram.

 

  1. Espaço [Paisagem]

Acostumamo-nos àquilo que se repete. O que está sempre lá naturaliza-se, deifica-se, torna-se simultaneamente invisível e inescapável. O hábito é a morte da sensibilidade.

A paisagem, como gênero pictórico, popularizou-se de tal forma que domina de cursos de pintura para amadores às esquinas da Praça da República, com seus artistas de rua. Ela não é, porém, tão óbvia quanto pode parecer. O processo histórico de formação da paisagem, ou seja, da transfiguração pelo nosso olhar da natureza em espaço digno de representação, em assunto em si, está atrelado ao desenvolvimento de mecanismos técnicos – da criação da tinta em tubo à janela da locomotiva e à máquina fotográfica –, à processos geopolíticos – como a formação de Estados nacionais e a necessidade de desenvolver um imaginário visual coletivo – e, claro, de desdobramentos intrínsecos àquilo que convencionou-se chamar de história da arte.

Mas, por hábito, esquecemos. Por hábito, tomamos a paisagem como algo dado, inclusive paramos de registrá-la quando nos tornamos familiarizados com ela. Deixamos de ver os arranha-céus de São Paulo, a imponente feiura de seu caos arquitetônico, o pouco que sobrou da Mata Atlântica ao fundo. O frescor do olhar estrangeiro – estrangeiros que foram 6 dos 7 membros do Projeto Piauí quando se mudaram para a capital paulista (um ainda o é, já que vive no Rio) – não é capaz de perdurar muito. Não há nada mais bruto que o poder avassalador do cotidiano.

A cegueira não é, no entanto, permanente ou universal. Esse mesmo grupo, talvez imune a suas cidades, fez-se comitiva e rumou ao Piauí. Lá, não esperaram uma das profecias mais famosas do imaginário brasileiro concretizar-se, fizeram eles mesmos o sertão virar mar através de seu trajeto. E o deslumbramento com o renascimento da sensibilidade para o entorno pode ser sentido em toda sua potência na exposição que se fez depois, através da presença avassaladora de paisagens, sejam elas imagens visuais ou mentais (não podemos esquecer, afinal, o belo diário de Isabel Diegues, capaz de transportar-nos todos para onde e ao lado de quem não estivemos).

Na entrada da exposição, uma lembrança: os desenhos de Luis Barbieri (ao lado de Isabel, o único não-artista do grupo). Essas não-obras de arte dão o tom de entrelaçamento entre arte e vida que marca a experiência, praticamente enunciando que a expressão estético-visual não é domínio exclusivo da classe artística. Os desenhos delicados e despretensiosos de fragmentos de paisagens ou cenas da viagem são exibidos sobre uma mesa, como documentos ou arquivo, em disposição radicalmente distinta à das obras de arte, que repousam em seu esplendor museológico contra a parede branca ou sobre pedestais. O formato de vitrine também é utilizado para parte das fotografias (sempre excepcionais) de Mauro Restiffe. São peças de pequenas dimensões, lampejos do trajeto, suas terras, seus encontros, suas gentes. A separação entre registro e obra não é estanque. Tudo é memória, tudo tem valor estético.

Além de Mauro (a discussão sobre o lastro fotográfico no real é interminável por algum motivo, afinal), é nos pintores do grupo, Marina Rheingantz e Bruno Dunley, que o impacto da paisagem e sua história – incluindo as pinturas rupestres de sítios arqueológicos locais – aparece com mais força, provavelmente pela própria natureza de sua mídia de escolha. Com parte dos trabalhos produzidos in loco e parte já de volta a São Paulo, as obras, até então inéditas, ao mesmo tempo em que dão a sensação de continuidade de suas pesquisas recentes, carregam um dado de frescor. Enquanto nas pinturas e desenhos de Bruno percebem-se influências do informalismo e do primitivismo associadas à abstração (cuja tradição é tão forte no Brasil) e com forte presença das pinturas rupestres e cores e pigmentos locais, os trabalhos de Marina são facilmente reconhecidos pelo seu particular tratamento da figuração e pela expressão gestual que marcam sua produção.

 

  1. Tempo [Experiência]

O press release avisa: a exposição não se coloca como resultado da viagem. Tem razão. Experiências não resultam; elas perduram, desdobram-se, transformam-se. Apesar de nosso desejo de ordenar a vida e por mais que a sociedade tecnocrática insista em nos convencer do contrário, não há nenhuma matemática regendo as consequências de nossas ações. Não há uma lei universal da razão teleológica a garantir que tudo tem propósito e objetivo. Tampouco existe fim. Nada termina – isso é ilusão de edição cinematográfica. A vida segue sem cortes. Arrisco o palpite de que o Grupo Piauí entendeu que não se escapa à continuidade.

Vê-se na exposição o novo e o mesmo. As esculturas e objetos de Paloma Bosquê e Alexandre Canonico dão continuidade à sua pesquisa formal e de materiais. Os artistas têm em comum o desenvolvimento de obras em que a geometria da forma é minada pelas imperfeições da matéria e, no caso de Paloma, pelo processo artesanal de criação. Mas seus trabalhos não passaram imunes ao Piauí e são fortemente informadas pela experiência, por suas cores, formas e matérias, que se sustentam sem a necessidade de um atestado de origem. Suas vivências foram recodificadas e reinscritas em seus contextos subjetivos: enquanto nas esculturas de Alexandre pode ser sentida uma apropriação narrativa do contexto vivido, nas obras de Paloma aparecem pela primeira vez materiais trazidos do sertão, apresentados em composições inéditas dentro de seu corpo de trabalho.

O maior impacto, ou pelo menos o mais direto, parece se dar nas fotografias de Mauro Restiffe, que em grande parte abandonou seu característico preto e branco para explorar o domínio da cor. Verdes, amarelos e azuis, ao lado de seus conhecidos cinzas, conferem um tom nostálgico às imagens, ao que contribui seu sofisticado uso da granulação. Mesmo em meio ao sublime da paisagem vertiginosa, as cores e texturas garantem algum intimismo ao que foi, afinal, uma experiência entre amigos, e coloca estas imagens em um tempo que parece outro, antigo, ou talvez fora do tempo mesmo.

 

  1. Adendo [Recepção]

Se optei por relatar minhas impressões e reflexões de forma tão livre, ao invés de linha após linha lapidadas pela rigidez de um artigo crítico, é por respeitar a natureza dessa viagem, dos afetos e dos desejos desse grupo de amigos que se uniu para explorar a alteridade dentro de sua própria identidade nacional. A exposição que ocupou o Pivô era múltipla, livre das amarras do rigor narrativo ou conceitual. Encaixá-la em categorias filosóficas ou históricas seria violentá-la, colocá-la entre grades não sem antes inventariá-a e devidamente etiquetá-la. A vida merece mais que isso.

 

 

 

*Caroline Carrion nasceu em Jundiaí e vive e trabalha em São Paulo (SP) como crítica e curadora. Graduada em Jornalismo pela Universidade de São Paulo e graduanda em Filosofia pela mesma instituição, também estudou Management et Communications Intercuturelles na Université Paris IV (Sorbonne), França.



Ensaios Escritos

Morrer para nascer ou Capitú contemporânea

22 jun, 16h56

Os artistas Cibelle Cavalli Bastos e Guilherme Ginane realizaram residência no programa Pivô Pesquisa entre 2015 e 2016. Com práticas bastante diferentes, os dois artistas conviveram no espaço e estabeleceram interlocução sobre seus trabalhos. Apesar de cada artista possuir seu próprio ateliê, o terceiro andar do Pivô, onde acontecem as residências, é um grande espaço aberto, propiciando esse tipo de troca entre os artistas. Abaixo, um texto que Guilherme escreveu sobre a transição das obras de Cibelle, desde os meses de produção no ateliê do Pivô até o espaço expositivo da galeria Mendes Wood DM, onde a exposição “Mil maneiras de matar um monstro” está em cartaz.

 

Morrer para nascer ou Capitú contemporânea.

 

Cibelle nos dá o caminho para encontrar armas para matarmos os monstros que habitam os lugares mais recônditos de nossa alma. Tudo é forçosamente revisado, revisto. Até as armas, que no nosso imaginário são coisas dolorosas, catastróficas, ela reverte, transpondo a dor intrínseca das armas em vida.

Tudo na exposição “Mil maneiras de matar um monstro”, que ela apresenta na galeria Mendes Wood DM, possui camadas de significações. Pode-se avançar ou ficar só no primeiro impacto, de rosas e matérias fortes que ficam entre o chocante e o «fofinho». Nada é excludente.

Eu, que convivi com a Cibelle no momento de sua produção para essa exposição, pude acompanhar a força intelectual empenhada por ela para dar corpo ao que está sendo mostrado, ou melhor – para fazer um jogo de palavras -, revirar o corpo contemporâneo e seus conceitos. Para mim, particularmente, o ponto alto são as roupas com látex. Como disse no início, as camadas de significados vão se sobrepondo e basta nos deixarmos levar. Vamos ao Louvre e vemos a carcaça de boi de Rembrandt, de 1965. De lá, vamos para o Rio Machadiano, relembrando a força de Capitú e sua liberdade frente ao empoderamento de Bentinho. Mas a vontade de Cibelle vai, claramente, além das semelhanças com as formas sugeridas pelo passado, e sem conflitos somos levados para a São Paulo atual, onde nos é sugerido os corpos maltratados das travestis das ruas do Centro. E como não há exclusão e sim enfrentamento, somos convidados a visitar os burgueses à procura de uma mulher objeto para a satisfação de suas volúpias e frustrações. Ela escancara o corpo e mostra que não há – nem em um, nem no outro – diferenças, seja nos prazeres, nas perversões ou nos medos.

Lá a roupa é a pele, o sentimento e a sexualidade. Somos como que apresentados novamente ao mundo. Uma espécie de renascimento, que fica ainda mais explícito pelo cheiro do látex. Não podemos esquecer que é com essa fina camada que temos o primeiro contato com o mundo – nas luvas que protegem as mãos dos médicos que nos retira da barriga de nossas mães. Essa  proteção «via látex», se estende por toda a vida, ao contato com o interior de corpos alheios, com o uso de preservativos, luvas cirúrgicas ou de manipulação.

A briga para achar essas formas não foram só intelectuais, eu repito, pude presenciar a luta de Cibelle, testando os materiais, horas e horas de trabalho árduo para chegar ao resultado que esperava. As cerâmicas que foram surgindo vinham para dar uma certa tranquilidade a cabeça inquietante da artista, a saída do atelier até poderia ser um alívio, mas logo as fotos no Instagram mostravam que lá estava o monstro que Cibelle perseguia ou vice e versa. Mas, de fato, a saída era algo importante, parece que ela emprega uma outra espécie de tratamento com os materiais, como se Cibelle fosse tratar das partes mais frágeis do corpo caduco, coisas que por sua delicadeza seriam engolidas pelas «vísceras» do atelier. Fragmentos de rostos, relações de cores mais cuidadosas aparecem, e até a maneira que esses trabalhos foram dispostos no espaço expositivo tentava mostrar que nós temos partes mais frágeis à outras para serem cuidadas.

O espelho que foi colocado na entrada da sala de exposição, ao meu ver, também teve um outro caráter. Construído na própria galeria, ele se isola da força sensível do atelier e traz um elemento quase terapêutico para exposição. O tom interrogativo se evidencia. Os monstros do título da exposição passam a ser nós, e é a nós que temos que matar, matar com amor, matar para nascer, viver uma vida que seja livre do lado escuro da alma, paradoxalmente, trazendo para essa interlocução o monstro, que mesmo morto, sempre habitará em nós.

 

Guilherme Ginane

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



Ensaios Escritos

Oliver Basciano reage à exposição "O que não tem conserto" de Tonico Lemos Auad com curadoria de Kiki Mazzucchelli

29 set, 16h14

Coceira ou ardor; não sei exatamente qual dos dois, mas é irritante. Talvez tenha sido de tanto nadar pela manhã. Um bom trecho de braçadas na saída da barra. Algumas poucas horas de prazer depois de três dias de palestras, incluindo a minha própria apresentação na universidade. Uma água geladíssima. Forcei bem uns cem metros, voltei à toda velocidade. Passado o choque da água; instalou-se o torpor. Mas isso foi horas antes. Seco com toalha áspera, passeei pela cidade – um café e um telefonema para casa contando a hora estimada da chegada – volto ao hotel, com a bagagem, agora, aqui sentado no aeroporto de Copenhague, leio anotações em um xerox de La Photographie n’est pas l’art de Man Ray, o vôo atrasou. Leio na margem ‘impressão em papel de gelatina de prata intitulada Histoire Naturelle, 1937 = desenhos em frottage de Max Ernst de 1926 têm o mesmo título’. Perderei o jantar.

 

Ergo a barra da calça. Noto uma velha mancha na perna. Uma casca de ferida, cinza, seca. Não é bonito, não parece bom. Eu diria que está aberta, mas não está nada aberta. A pele está só um pouco diferente. A pele lisa e alguns pelos ralos da perna parecem ter ali se entrelaçado. Isso vale como descrição? Funciona? Não me ocorrem outras palavras melhores. Estranho. Devo ter pego carrapato – ou coisa que o valha. Amanhã cedo vou ao médico. É melhor garantir.

 

4h45. O vôo ainda está atrasado.

 

Peço um café. Vem amargo. Na verdade está com um gosto horrível. Café de aeroporto. Não deveria ser tão ruim. Segundo gole, terceiro. Não consigo beber o quarto. Está com um gosto… quase venenoso. Volto ao balcão. Não reclamo. Não adiantaria nada, mas lamento ser obrigado a comprar uma garrafa d’água para tirar o gosto da boca, aliviar a queimação por dentro. A água, no entanto, está deliciosa. Deliciosa.

 

Definitivamente não me sinto bem. Está tudo acontecendo tão depressa. Ou demora uma eternidade. Não sei dizer. Devo estar com febre. Sinto meu rosto esticar, como se alguma coisa puxasse minhas orelhas, lenta mas firmemente para trás, e minhas bochechas e o nariz também fossem junto. Minha cabeça ficou chata. Chata? O que isso quer dizer? Sinto uma dor aguda no braço. Maldição. Atravesso o terminal a pé. Meus passos estenuados. Que diabos está acontecendo. Atrás de mim, a seta do toalete.

 

Atrás de mim, a seta do toalete.

Atrás de mim, a seta do toalete.

 

À minha frente, há uma loja de roupas, uma marca cara. Atrás de mim, a seta. Toalete. Meu olho esquerdo atento aonde vou andando. Meu olho direito virado consegue ver de onde eu venho. Minha barriga ronca ora uma coisa, ora outra. O estômago aperta. Talvez vomite. Sinto enjôo, sobe até a garganta. Viro de lado. Que dor nas pernas. Porra. Que dor nas pernas. Porra. Que. Dor. Nas. Pernas.

 

Vou ao toalete. O que houve com meus olhos? O que será isso? Corro para um cubículo. Passo muito mal. Outro gole de água. Tento fechar a porta do cubículo, mas tenho dificuldade. Meus dedos não estão funcionando muito bem. Ergo a barra da calça outra vez. A mancha seca, dura, espalhou. Realmente se espalhou. E ficou mais dura, mais ossificada. Só tinha dez, quinze milímetros no máximo, quando senti pela primeira vez coçar. Baixo a calça. Esforço-me para tirá-la. Tento me concentrar, mas minha visão está piorando. Sento-me no vaso. Por que essa calça não sai? Minhas pernas devem estar comprometidas. De verdade. E não tenho certeza. Não sei exatamente, a bem da verdade, o que estou prestes a dizer. Mas não sei mais muito bem qual é a minha perna esquerda e qual é a direita. Uma parece agrilhoada à outra. Ou uma delas virou a outra. O que eram duas se tornou essa coluna única mais larga, magra, porejante, que se encaracola à minha frente. Meus dedos do pé parecem esticados. Meus dedos do pé… parecem… esticados. Encaracolados. Cuidadosamente encaracolados. Esticados e bem torneados à minha frente. Nessa altura me dou conta de que minha _______ se soltou e caiu no chão. Uma massa azul denim se esparrama. Minha _______. Como se chama isso mesmo?

 

Eu, minha cabeça parece rodopiar. Literalmente parece estar girando. Ou pelo menos consigo ver tudo em volta do ________. O cu______. Vejo tudo em volta ao mesmo tempo, embora meu pescoço esteja duro e rígido, olhando para frente. Tento tocá-lo. Mas não há nada ali. Nem nada com que tocá-lo. Só um esvoaçar distante, uma ondulação do vazio. Na minha cabeça penso que tenho braços. Porém. E não sei como dizer isso sem parecer categórico demais. Simplesmente não sei. Não tenho ______. Não____ o que está acontecendo com ___. Cadê meu ___. Cadê minha ___. Este não __. Eu já não __. Eu __ ___ ___.

 

Os trechos de monólogo interior são substituídos por cores. Forma, uma intensa, dolorosa, sensualidade do que está acontecendo. Minha cabeça se enche de forma. Opero através de cores delirantes. Através da forma. Dentro da forma.

 

Vou cair. Caindo. Vejo luz lá em cima. E uma caverna branca embaixo. E água. Aterrisso na água. A dor do último ____ passa num instante. Parece que se passaram ____ aqui. _____. Minha bexiga natatória está cheia, recupero o equilíbrio. Que mundo pequeno. Mas a água é tão adorável. Porra, como é bom. Tento dar risada. Nada acontece. Oxigênio passa ao lado da minha cabeça. Respiro. Impacto contra superfície branca e dura. Meu intestino solavanca. Respiro.

 

 

Saiu um artigo curto na Politiken da manhã dessa quinta-feira. Dizia que a equipe de limpeza encontrou um cavalo marinho vivo dentro de um toalete do terminal dois do aeroporto internacional de Copenhague. O artigo foi reproduzido por diversas agências de notícias e se espalhou rapidamente pela internet. Não se sabe como o cavalo marinho passou pela segurança sem ser detectado. Desde então o animal vive sob a proteção da Dyrenes Beskyttelse, a sociedade dinamarquesa de bem-estar animal. O cavalo marinho não foi fotografado, por isso a mídia usa fotos de banco de imagem.

 

Oliver Basciano é crítico de arte, baseado em Londres e editor das revista ArtReview e ArtReview Asia.

Tradução: Alexandre Barbosa de Souza