Caroline Mesquita: "In Vivo"

© Caroline Mesquita, still "In vivo", 2020© Caroline Mesquita, still "In vivo", 2020

Em “In Vivo”, a artista francesa Caroline Mesquita apresentará no Pivô uma série de trabalhos criados especialmente para a sua primeira exposição no Brasil. A mostra, que tem curadoria da também francesa Dorothée Dupuis, é um desdobramento da exposição apresentada no contexto do prêmio da Fondation d’entreprise Ricard, em Paris, em 2017.

 

Mesquita apresentará uma vídeo-instalação composta por uma grande “célula-mãe”, na qual o espectador terá de adentrar para assistir a um filme comissionado para a exposição. A obra se assemelha a um documentário científico, como se observássemos as situações sob as lentes de um microscópio. “Trata-se de uma balada dentro do corpo humano”, revela Mesquita, “reunindo células sanguíneas, bactérias, vírus e muitos outros microorganismos em paisagens abstratas e coloridas”.

 

A prática de Mesquita reúne instalações em vídeo, em que elementos esculturais são personagens dos filmes, assim como a própria artista (em suas primeiras produções) e muitos outros protagonistas, tão silenciosos quanto anônimos. Os vídeos são pretextos para a construção de ambientes cada vez mais complexos. Produzidos em stop-motion e muitas vezes em tom burlesco, trazem referências do cinema de Georges Méliès e de desenhos animados da vanguarda polonesa dos anos 1970, entre outras fontes de inspiração.

 

Para a instalação em exposição no Pivô, Mesquita optou por usar materiais ordinários e pouco duráveis como o papelão e o papel e por uma estética mais áspera e artesanal, se distanciando das esculturas de chapas de metal dobradas que povoaram algumas produções recentes. Nesta exposição, Mesquita aponta para os detalhes, às texturas, aos sons e também para as pulsações e pulsões que acontecem no mundo subcutâneo, um território tão misterioso e fascinante quanto o espaço sideral. Em tempos que um vírus, uma bomba ou uma notícia falsa tem o mesmo potencial desestabilizador, Caroline Mesquita nos convida a trocar a lente grande angular pelo zoom do microscópio, para lidar com o nosso entorno imediato e com um trabalho de arte.

 

A realização de “In Vivo” é uma co-produção do Pivô com a Fondation d’entreprise Ricard e conta também com o apoio de Institut Français, Consulado Geral da França em São Paulo e Triangle France – Astérides.

 

Data de abertura a confirmar.

 

SOBRE A CURADORA

Dorothée Dupuis (Paris, 1980) é curadora de arte contemporânea, crítica e editora de arte. Sua prática se concentra principalmente na interseção de artes e política e é informada por teorias feministas, pós-marxistas e decoloniais. Dupuis é diretora e fundadora, desde 2013, da revista Terremoto.mx, com sede na Cidade do México. Antes de se mudar para a Cidade do México, foi diretora do Triangle France, um programa sem fins lucrativos de exposição e residência em Marselha, França, de 2007 a 2012, e assistente-curadora do Centre Pompidou, de 2005 a 2007. Desde 2012, Dupuis é curadora independente e tem escrito sobre arte nas Américas, tanto na Terremoto quanto em outras publicações internacionais.

Sobre

Caroline Mesquita, 1989, vive e trabalha em Marselha

Caroline Mesquita se formou na École des Beaux-Arts de Paris em 2013. Seu trabalho foi apresentado em várias exposições coletivas, incluindo: “Futur, Ancien, Fugitif”, Palais de Tokyo (Paris, 2019); “Cosmologic Arrow”, Bonniers Konsthall (Estocolmo, 2019); “Here are flowers”, La Loge (Brussels, 2018); “Good feelings – 19th Prix Ricard”, Ricard Corporate Foundation (Paris, 2017); “Europe Europe”, Astrup Fearnley Museet (Oslo, 2014); “The Space Between Us”, Fahrenheit (Los Angeles, 2014). Entre suas exposições individuais recentes: “Astray”, Kunsthalle Lissabon (Lisboa, 2018) e Galeria Municipal (Porto, 2019); “Night Engines”, Center Pompidou (Paris, 2018); “The Ballad”, 221A (Vancouver, 2017).